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Anomalia do olho do Collie

A anomalia do olho do Collie (AOC) (Collie Eye Anomaly, CEA) é uma doença congênita, de herança autossômica recessiva, caracterizada por uma variedade de anormalidades oculares.

Descrita a muitos anos em cães da raça Collie, a anomalia do olho do collie também está presente em outras raças de pastoreio, tais como, Smooth collie, Border collie, Pastor australiano, Boykin spaniel, Lancashire heeler, Whippet de pelo longo, Duck tolling retrivier da nova escócia, Rough collie, Pastor de shetland e Silken windhound.


Pastor de Setland

As lesões mais comumente diagnosticadas na AOC são hipoplasia de coroide e coloboma peripapilar. Entretanto, segundo a intensidade da doença, podem ser percebidas também microftalmia, ectasia escleral e até descolamento de retina que evolui para a cegueira. 

Para se ter uma ideia do tamanho desse problema nos EUA admite-se que 85% ou mais dos cães da raça Collie sejam afetados pela anomalia. Outras estimativas indicam os seguintes percentuais de animais da raça collie afetados: 64% no Reino Unido, 37% na Alemanha, 41% na Holanda e 31% na Suíça (Glasgowhill Collies Perm Registered).


Collie

Não há dúvidas que o risco de fixação desse gene na raça Collie é real e muito esforço ainda deverá ser dispensado para que se estabeleça um controle desse gene nas populações. De forma natural, um gene só é fixado em uma população se tiver um valor adaptativo que traga vantagens aos portadores. Porém, quando ele é um gene indesejável esse fenômeno sofre influência da origem da formação da raça. 

É sabido que no início do processo de formação de uma raça o número de animais dentro do padrão definido é bastante reduzido. Isto significa que a obtenção de novos cães só é possível a partir do acasalamento de poucos reprodutores, dentro de um restrito conjunto de genes. Esse processo reduz a variabilidade genética, concentra indivíduos aparentados e - caso os animais fundadores possuam genes recessivos indesejáveis - a consanguinidade irá favorecer a fixação desses genes.

Desde que a AOC foi identificada os criadores buscam diminuir a incidência da anomalia do olho do collie nas populações das diferentes raças afetadas. Entretanto, apesar de algum sucesso obtido com os exames oftálmicos de rotina, realizados por Veterinários especializados, e processo responsável de criação, com identificação e descartes da reprodução dos animais afetados, não se verifica uma diminuição efetiva da incidência da doença.

Tal fato é explicado pela impossibilidade de se identificar fenotipicamente os portadores do gene (Aa) que causa a AOC. Pois, se a anomalia do olho do Collie é uma doença é herdada como autossômica recessiva significa dizer que todos os cães afetados são homozigotos recessivos (aa) e os animais livres do gene são homozigotos dominantes (AA). Entretanto, os heterozigotos (Aa) são animais fenotipicamente normais, mas que ao se reproduzirem transmitem o gene mutante (a) disseminando-o na população. 

Felizmente já existem testes genéticos para a detecção do gene causador da anomalia do olho do Collie. Portanto, já é possível identificar os portadores e se utilizar na reprodução apenas animais livres da doença e do gene em questão (AA). 

Irineu M. Benevides Filho
Médico Veterinário – doutor em genética

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