Text Resize

-A +A

Artigos

Displasia Coxofemoral em cães

A displasia coxofemoral canina é uma doença de observação comum na Medicina veterinária que afeta diferentes raças e cruzamentos mas, principalmente, aquelas de grande porte e crescimento rápido como os cães pastores, Rottweilers e Pit Bulls, etc... Ao longo de anos de estudos sobre essa patologia concluiu-se, sem dúvida alguma, que a displasia coxofemural nos cães é uma doença familiar - portanto com clara implicações genéticas – entretanto, também sabemos que a displasia coxofemoral náo é devida a ação de apenas um ou dois pares de genes, sendo um exemplo clássico de uma patologia multifatorial. Nesses casos o fenótipo patológico é fruto de uma intricada rede de interações entre genes e entre os genes e o fatores de ambiente. 

Não é difícil de entendermos que quanto mais complexo for um determinado fenótipo, mais complexo também serão os processos que concorrem para a sua perfeita expressão. Logo, para que uma articulação funcione perfeitamente muitos genes estão transcrevendo proteínas estruturais e enzimáticas que estão interagindo entre si e com o meio bioquimico para, durante a embriogênese atuar de forma absolutamente harmônica, na divisão e diferenciação celular e migração e fusão de células e tecidos.

Os estudos genéticos da displasia coxofemoral, em diferentes raças de cães, já identificaram a participação de diferentes genes localizados em mais de dez cromossomos do cão. Logo, dependendo do gene mutado e/ou do tipo de agressão ambiental que interfira na correta expressão do gene, o fenótipo dos animais afetados seráo bem variáveis podendo ir de quase normal a muito afetado. Em genética chamamos este tipo de herança de herança quantitativa e, dependendo da magnitude de sua herdabilidade, os processos de seleção podem ser mais ou menos eficiente. A literatura específica indica que as estimativas de herdabilidade para a displasia coxofemoral são bastantes variáveis (Link) e, portanto, seu controle por seleção massal é pouco eficiente. 

Como em toda a doença multifatorial, na displasia coxofemoral, outras etiologias deverão estar associadas aos fatores genéticos na determinação das alterações biomecânicas da articulação. Acredita-se que uma das principais causas primárias da displasia coxofemoral seja a flacidez da cápsula articular que, ao aumentar a instabilidade da articulação, facilita a instalação do processo degenerativo.

Quando o animal ainda é jovem a observação dos sinais clínicos da displasia coxofemoral é bastante dificultada. Contudo, com o aumento da idade e, consequentemente da progressão da doença, os sinais clínicos são facilmente observados. Em geral esses sinais incluem claudicação, dificuldades locomotoras e perda de equilíbrio dos membros pélvicos e sinais de dores ao movimento.

A maior dificuldade no controle da displasia coxofemoral está na escolha dos objetivos e do critério de seleção para a exclusão de cães portadores dos processos de reprodução. Em geral a seleção de reprodutores deve ocorrer antes da idade reprodutiva e tem com o objetivo diminuir a incidência da displasia coxofemoral nas gerações futuras, selecionando contra a expressão clínica da displasia, ou seja, a claudicação. Contudo, como nem sempre a expressão clínica é fácil de se medir, principalmente em idade precoce, o critério de seleção dos reprodutores, em geral, é feito com base em uma escala de valores, obtida pontuando-se diferentes características da articulação, a partir de exames de imagem da articulação do quadril (Brass, W. :Hip dysplasia in dogs Journal of Small Animal Practice 30:166-170, 1989.).

Para o diagnóstico da displasia coxofemoral no cão o médico veterinário utiliza-se de um minucioso exame clínico associado a uma cuidadosa anamnese e exames de imagem. A correta interpretação dos dados clínicos e radiológicos, principalmente no animal jovem, irá auxiliar o veterinário a planejar a conduta clínica mais adequada para com os pacientes.

Irineu M. Benevides Filho
Médico Veterinário, doutor em genética

Total de votos: 191
CAPTCHA
Esta ferramenta é para testar se você é um visitante humano e evitar submissões automatizadas de spam. (Marque a caixa abaixo)