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Doença de Alzheimer em Cães

Tecnicamente denominamos o Alzheimer canino como Síndrome de Disfunção Cognitiva (SDC). Da mesma forma que nos humanos portadores de Alzheimer, os cães com SDC também apresentam alterações no sistema nervoso central que refletem no seu comportamento e na sua capacidade cognitiva. 

Apesar da síndrome de disfunção cognitiva canina caracterizar-se como uma patologia própria de animais idosos, sabe-se que existe um tipo muito raro de síndrome de disfunção cognitiva precoce, cuja herança genética é autossômica dominante. Porém, com relação ao Alzheimer canino (SDC), até o momento não existe definição sobre o tipo de herança.

Contudo, com o processo de envelhecimento dos indivíduos sabemos que: 

• Há o acúmulo de radicais livres nas células, que agridem o material genético; 

• O processo de divisão celular se torna mais lento, pela perda progressiva dos telômeros (extremidades dos cromossomos) e

• Há diminuição da capacidade de realizar reparos na estrutura do DNA (em todas as células existem sistemas de reparo que corrigem falhas na transcrição gênica e reparos em quebras e outras alterações na estrutura do DNA).

Estas consequências do envelhecimento biológico são muito mais pronunciadas nas células mais especializadas do organismo, como é o caso dos neurônios. Apesar dos neurônios não apresentarem atividades de divisões nos indivíduos adultos normais sabe-se que, naquelas regiões do cérebro atingidas pela degeneração, são encontrados neurônios que iniciaram a divisão celular e não foram capazes de finalizar o processo.

Na maioria das vezes o início da instalação da síndrome de disfunção cognitiva canina surge com alterações comportamentais sutis, que não despertam para uma maior gravidade e que passam despercebidas pelos tutores ou são vistas como um efeito normal do envelhecimento. Assim os animais ficam mais tímidos, brincam menos e ficam confusos. Contudo com a progressão da doença os cães com o Alzheimer canino passam a demonstrar:  desorientação, mudanças na interação socioambiental, distúrbios do ciclo sono/vigília, alteração dos hábitos de higiene, urinar e/ou defecar em locais não habituais, diminuição da atividade física, ansiedade e distúrbios do apetite.

Apesar de não haver a possibilidade de cura do Alzheimer canino, quanto mais rápido for diagnosticado a doença mais eficiente será a intervenção do médico veterinário, no sentido de melhorar a qualidade de vida do animal e desacelerar o processo degenerativo. Em geral, nesses casos, além do uso de medicamentos específicos, são utilizadas dietas ricas em antioxidantes; Manutenção de uma rotina de passeios e exercícios e enriquecimento do ambiente onde o animal vive, que incentive atividades e estimule a curiosidade.

Logo, caso sejam percebidas alterações comportamentais do seu cão ele deve ser conduzido o mais rápido possível ao médico veterinário pois essas medidas irão contribuir efetivamente para o bem-estar do seu animal.

Bibliografia : 

  1. Bosch, M.N., Pugliese, M., Gimeno-Bayón, J., Rodríguez, M.J., Mahy, N. : Dogs with cognitive dysfunction syndrome: a natural model of Alzheimer's disease. Curr Alzheimer Res 9:298-314, 2012. 
  2. Heckler e cols.- Clínica Veterinária, v. 90, p. 70-74, 2011.

Irineu M. Benevides Filho - M. Veterinário – Doutor em Genética

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