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Entrópio nos cães

O entrópio é uma rotação interna da pálpebra (mais comumente a pálpebra inferior) em que o epitélio roça a superfície ocular, ocasionando irritação com hiperemia, intenso prurido e ulcerações conjuntivais podendo, inclusive, causar deficiência visual.

As formas mais comuns de entrópio em cães são: a genética, a cicatricial e a senil.

 Do ponto de vista genético o mais provável que a ocorrência do entrópio seja influenciado por vários genes (herança poligênica) que afetam a pele e outras estruturas que compõem as pálpebras. A interferência do homem introduzindo a seleção artificial para uma determinada conformação de características faciais exageradas, com olhos proeminentes e/ou dobras faciais pesadas e promovendo a consanguinidade, agravou em muito este problema acumulando os genes causadores do entrópio em muitas raças.

Quando a causa é de origem genética o problema é geralmente evidente antes de um ano de idade. O desconforto do entrópio causará um aumento de lacrimejamento e o cão poderá ficar mais sensível a luminosidade, coçando com frequência. A irritação pode causar ulceração e cicatrização da córnea e, se não for corrigida, pode prejudicar a visão.

Visto vez que as estruturas faciais envolvidas no processo ainda estão crescendo e mudando caberá ao médico veterinário, sempre avaliando o grau do entrópio, definir o melhor momento da intervenção cirúrgica para corrigi-lo pois, quanto mais adulto for o cão, maior será o sucesso da cirurgia. Dependendo da idade do cão, da severidade do entrópio e da raça do animal, outras cirurgias poderão ser necessárias. Aliás é sempre melhor corrigir o entrópio de forma mais conservadora e repetir a cirurgia do que causar transtornos mais graves.

O entrópio por causas genéticas é consequência da seleção feita por criadores para atender a uma demanda do público para características como olhos excessivamente proeminentes e dobras faciais pesadas. Algumas associações de criadores já reconheceram o entrópio como um problema inaceitável em suas raças e aconselham os associados a não criarem animais afetados.

Essa postura é muito importante pois os clubes de raças exercem uma liderança natural sobre os associados. Entretanto, como a herança do entrópio tem caráter poligênico não obedece aos padrões mendelianos simples. Fato que torna a identificação dos animais portadores um pouco mais difícil.

 

Irineu M. Benevides Filho
Médico Veterinário – Doutor em genética

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