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Fibrodisplasia ossificante progressiva em gatos

A Fibrodisplasia ossificante progressiva (FOP), descrita inicialmente na espécie humana como miosite ossificante progressiva, é uma doença congênita rara que, por falhas no processo de diferenciação embrionária do tecido ósseo, apresenta formação de ossos no interior dos músculos, tendões, ligamentos e outros tecidos conectivos.


A Fibrodisplasia ossificante progressiva já foi descrita em gatos pelo curto inglês, himalaio e Maine Coon. O Brasil, foi encontrado um único registro em animal sem raça definida.

Em que pese ainda serem escassos os relatos da FOP na Medicina Veterinária os estudos em gatos afetados revelaram que a patologia possui a mesma origem genética da doença em humanos. Em ambos os casos a mutação que origina a Fibrodisplasia ossificante progressiva é herdada como uma característica autossômica dominante, onde o gene que codifica a estrutura do receptor de ativina A tipo I (ACVR1) está alterado. Sabemos que uma vez alterada as informações do código genético de um segmento do DNA a estrutura da proteína, orientada por este segmento, também será alterada. De forma que o receptor da ativina, produzido pelos genes mutados, estará defeituosa impedido que a ativina desempenhe o seu papel durante o período crítico da organogênese.


Esquema da Membrana Celular com receptores proteicos

Os achados clínicos descritos nos gatos afetados incluem a claudicação progressiva e deformidades digitais, atrofia e rigidez e inchaço das articulações torácicas distais e dos membros pélvicos, que podem progredir para o quadril. Os animais apresentam dor a manipulação dos membros pélvicos e os exames de imagem revelam depósitos de tecido ósseo heterotópico em múltiplas articulações axiais e apendiculares que se estendem por tecidos musculotendinosos adjacentes.

Como o receptor de ativina A tipo I está envolvido em diversos processos da organogênese a mutação irá interferir também na formação de outros órgãos. De modo que, por exemplo, os animais com Fibrodisplasia ossificante progressiva também deverão ser estéreis.

Mas como pode surgir um animal com uma doença autossômica dominante se esta doença causa esterilidade? Como pode um indivíduo normal produzir descendência com uma doença de herança dominante? A explicação mais plausível é a de que, nestes casos, a mutação ocorre somete em células germinativas dos indivíduos (aquelas que irão originar os gametas) de modo que estes animais  são fenotipicamente normais mas, ao se reproduzirem, liberam os gametas com o gene alterado que irão dar origem a indivíduos doentes.

 

Irineu M. Benevides Filho – MV/Doutor em Genética

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