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Mutirões de castração são capazes de controlar a população de cães e gatos errantes?

É bastante comum os municípios buscarem o controle populacional de animais de rua através de projetos de mutirão de castração. Mas essa estratégia de controle da natalidade, por si só, é capaz de dar conta do problema de controlar a população de cães e gatos errantes? A população de animais de rua tem diminuído ao longo do tempo com a utilização dos mutirões? A quem mais interessa os projetos de mutirão de castração nos moldes que estão sendo realizados?

Os projetos de mutirão de castração não só limitam o número de animais a serem atendidos como delimitam os espaços regionais de atuação. Além disso, a quantidade de pacientes num curto espaço de tempo e o meio ambiente onde eles ocorrem, podem prejudicar/dificultar os procedimentos de triagem e cadastramento de animais, as consultas e exames pré-cirúrgicos, o ato cirúrgico e o cuidados no pós operatório ( fundamentais nesse processo). Sem contar que nem  sempre possuem um Médico Veterinário, devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina Veterinária, como Responsável Técnico para aquele evento específico.

Por definição projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, um serviço. Sob essa ótica os projetos de castração cumprem com o seu papel, pois atendem o número de animais previstos na programação. Entretanto a efetividade dessa estratégia, isoladamente, tem um baixo impacto na diminuição da densidade populacional. Logo, o controle e erradicação de animais de rua requer um esforço muito maior do que aquele delimitado por um projeto de castração e deve ser visto como um programa de saúde pública, que envolva um conjunto de projetos relacionados e gerenciados de modo coordenado para obtenção de um determinado benefício. Ele deve ser um programa coordenado pelo poder público e estar baseado na educação das crianças e jovens e conscientização da comunidade acerca de temas como guarda responsável, doenças transmissíveis e controle populacional de cães e gatos, buscando-se inclusive a conscientização da comunidade sobre a posse irresponsável e o não abandono de animais.

Mais eficiente seria um programa de controle populacional substituir os projetos de mutirão de castração, e implantar como estratégia os convênios com as clinicas veterinárias do próprio Município. Essa estratégia não só facilitaria o acesso da população animal de diferentes bairros como, ao diminuir o número de pacientes atendidos por unidade médica, reduziria riscos de agravo à saúde e melhoria o conforto e o bem-estar dos animais. É certo que um programa desse porte irá exigir uma maior integração entre o poder público e a sociedade civil organizada. As secretarias de saúde dos municípios, as ONGs, os Conselhos Regionais de Medicina Veterinária, as Faculdades de Veterinária, os médicos veterinários e as associações da classe veterinária são atores indispensáveis nessa tarefa.

Irineu M. Benevides Filho 
Médico Veterinário

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Comentários

Francine Rizo

Infelizmente só visam o imediatismo... de fato nada é resolvido!!!!

sex, 25/08/2017 - 19:54
busquepets

Verdade Francine

qua, 14/02/2018 - 11:39
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