Text Resize

-A +A

Artigos

Porque cães e gatos podem se intoxicar com ivermectina?

A ivermectina é um fármaco antiparasitário de amplo espectro, tradicionalmente utilizado na clínica médica veterinária no combate a verminoses. Seu mecanismo de ação consiste em potencializar e/ou ativar os canais de cloro sensíveis às avermectinas, que estão presentes nas células nervosas e musculares dos invertebrados. Uma vez potencializados, estes canais aumentam a permeabilidade da membrana celular aos íons cloreto e, com a hiperpolarização dos nervos ou células musculares, irá ocorrer a paralisia e morte dos vermes nematódeos e ectoparasitas (insetos, carrapatos e ácaros).

Entretanto, parece lógico que o organismo dos animais, que estejam sob tratamento com esses fármacos, necessita de um mecanismo que seja eficiente no processo de eliminação das drogas, caso contrário, haveria uma acumulação de grande variedade de substâncias endógenas e exógenas que intoxicaria os pacientes. Um desses processos de proteção ao organismo está sob a responsabilidade de uma proteína transportadora de membrana, denominada P-glicoproteína (P-gp), transcrita pelo gene ABCB1 (MDR1-Multi Drug Resistance 1).

A P-gp funciona como uma bomba de fluxo transmembrana, cuja atividade diminui a concentração intracelular de ivermectina e de uma grande variedade de outros fármacos (vincristina, vimblastina, cortisol, dexametasona, metilprednisolona, morfina, digoxina e antibióticos). Este receptor de membrana está envolvido tanto na proteção celular, contra esses fármacos, como também promove a eliminação deles por via hepática, renal e intestinal.

Logo, indivíduos que apresentem mutações no gene MDR1 serão sensíveis a ivermectina e a vários outros fármacos que sejam substratos da glicoproteína-P pois essas proteínas receptoras estarão defeituosas e afuncionais, tornando o animal portador da mutação suscetível a severas intoxicações com efeitos neuro, nefro e hepatotóxicos.

Os estudos na área de genética animal, mesmo sendo mais numerosos em cães, mostram que esta mutação está presente tanto em gatos como em cães. Nestes últimos a mutação já foi descrita nas raças Collie, American Collie, Longhaired/Rough Collie, Smooth Collie, Longhaired Whippet, Shetland Sheepdog, Miniature Australian Shepherd, Australian Shepherd, Wäller, White Swiss Shepherd, Old English Sheepdog, Border Collie, English Shepherd, German Shepherd, McNab, Silken Windhound e cães sem raça definida.

Irineu Machado Benevides Filho – MV/Doutor em Genética

Total de votos: 139

Comentários

Márcia Panizzutti

Esclarecedor, interessante e conciso. Parabéns, mestre!

ter, 28/05/2019 - 23:19
busquepets Marcia grato por interagir conosco, apareça sempre e mande sugestões.
seg, 17/06/2019 - 10:28
CAPTCHA
Esta ferramenta é para testar se você é um visitante humano e evitar submissões automatizadas de spam. (Marque a caixa abaixo)