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Principais parasitos intestinais do cachorro

“As visitas rotineiras ao Veterinário estabelecem processos mais eficientes no controle de ectoparasitos; nos procedimentos de higiene dos animais; nos cuidados com as fêmeas gestantes e nos esquemas sanitários”

Os parasitos intestinais mais comuns do cachorro são os helmintos Toxocara canis, Ancylostoma caninum e o Dipylidiuim caninum. Os dois primeiros são denominados nematoides e possuem o corpo alongado e cilíndrico e popularmente são conhecidos como vermes redondos. Já o Dipylidiuim caninum, denominados de cestódeos, são conhecidos como vermes chatos pois possuem o corpo achatado e segmentado. Popularmente conhecidos como vermes, esses helmintos são de grande importância, tanto para a saúde dos animais – todas as três espécies - como para a saúde pública – no caso das duas espécies de nematódeos, visto que provocam importantes zoonoses. 

Toxocaríase

Os cães parasitados por Toxocara sp. eliminam os ovos do verme no ambiente junto com as fezes. Já no ambiente esses ovos irão evoluir para um ovo larvado. Outros cães e o homem se infectam a partir da ingestão deste ovo com a larva. Nos cães, a infecção poderá ocorrer também por meio da ingestão de hospedeiros de transporte do verme (como roedores, pequenos pássaros); por infecção pré-natal (quando a cadela prenhe esteja infectada) e, ainda, durante o período de lactação; em decorrência da transmissão da mãe para os filhotes, a parasitose é muito comum em animais jovens e tende a ser mais grave nos primeiros meses de vida dos cãezinhos.

Em geral, os animais parasitados com Toxocara canis apresentam, entre outros, os sinais clássicos das parasitoses, como abdômen distendido, desidratação e diarreia. Infecções mais graves podem acarretar complicações intestinais letais, principalmente, relacionadas a intussuscepção, que é quando uma parte de alça intestinal penetra em outra parte, graças a distúrbios do peristaltismo provocados pela presença dos vermes e a consequente enterite, e a  obstrução intestinal, quando a quantidade de vermes é muito grande, formando verdadeiras bolas de vermes entrelaçados, que não permitem a passagem das fezes.

No homem, o Toxocara canis é o responsável pelas zoonoses conhecidas como Larva Migrans Visceral LMV) e Larva Migrans Ocular (LMO), causadas, respectivamente, por larvas do parasito que, após ingeridas, migram pelas vísceras, se instalando em vários órgãos e tecidos, podendo alcançar o globo ocular; nesse último caso, pode levar a distúrbios oculares mais ou menos graves e – em casos mais graves – levar à cegueira e ou à necessidade de enucleação do globo ocular.  A LMV e a LMO ocorrem principalmente em crianças, quando entram em contato com o solo e areia (escolas e praias) contaminada por fezes dos animais e levam as mãos contaminadas à boca.

Ancilostomíase

Os cães eliminam ovos do parasito junto com as fezes, os quais eclodem e liberam larvas, que passam a contaminar o solo. Outros cães e humanos contraem a infecção por Ancylostoma sp. por meio do contato da pele com  larvas. As larvas móveis, penetram ativamente na pele. Nos cães, elas migram até alcançar o intestino delgado onde completam o ciclo. No ser humano, as larvas não conseguem atravessar a junção epiderme-derme e permanecem na pele, dando origem à zoonose Larva Migrans Cutânea, conhecida popularmente como “bicho geográfico”. O cachorro parasitado pelo Ancylostoma caninum apresenta diarreia de cor escura ou sanguinolenta, anemia, fraqueza, desidratação e emagrecimento, uma vez que esse verme é hematófago, se fixando na parede intestinal e se alimentando do sangue do animal.

No homem,  zoonose também acomete, principalmente, as crianças ao entrarem em contato com o solo e areia de praças, parques públicos, escolas e praias contaminados com fezes de animais.

O retardo no diagnóstico e do início do tratamento aumentam consideravelmente a taxa de mortalidade dessas parasitoses nos animais e aumentam o riso para os humanos.

Dipilidiose

A transmissão do Dipylidium sp.para os cães (hospedeiros definitivos) ocorre por meio da ingestão de pulgas (hospedeiros intermediários) infectadas com a larva deste cestoide. Uma vez infectado, o cachorro libera nas fezes as proglótides (estrutura que contém os ovos do verme) que são visíveis nas fezes, lembrando grãos de arroz, e espalham os ovos do parasita no ambiente, por serem móveis.

É comum que o cão parasitado com Dipylidium caninum, após defecar, apresente prurido anal. Por isso, com frequência, apresenta o comportamento de esfregar a região anal no chão. Se a infecção parasitária for de pequena magnitude, os cães podem não sofrer grandes danos à saúde. Entretanto, a medida que a concentração parasitária aumenta, o cachorro poderá apresentar inflamações da mucosa intestinal, cólicas e diarreia.

O hábito da rotina Veterinária é fundamental para que se estabeleça uma eficiente prevenção destas verminoses, não só pelos exames de rotina, aos quais os animais serão submetidos, como pelo fato das visitas rotineiras ao Veterinário acabar por estabelecer processos mais eficientes na correta higienização de ambientes, bebedouros e comedouros; no controle de ectoparasitos; nos procedimentos de higiene dos animais; nos cuidados com as fêmeas gestantes e nos esquemas sanitários.

Sandra M. G. Thomé*
* Médica Veterinária. Professora Associada 1. Depto de Epidemiologia e Saúde Pública. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

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