Text Resize

-A +A

Artigos

Síndrome de Alexander em cães

A doença de Alexander consiste em um transtorno genético que afeta progressivamente o desenvolvimento da substância branca do cérebro. Na espécie humana afeta predominantemente lactentes e crianças e ocasiona a morte do portador dentro de um período de dez anos após o aparecimento dos sintomas. Em geral os indivíduos afetados pela doença de Alexander apresentam sinais e sintomas neurológicos não específicos, como retardo mental e atraso no desenvolvimento psicomotor, macrocefalia, convulsões, espasticidade, dificuldade de deglutição, entre outros.

Em cães a síndrome de Alexander foi descrita pela primeira vez em 1986 em um cão da raça Terrier escocês, com 9 meses de idade, tetraplégico, em cujo cérebro observou-se depósitos generalizados de fibras proteicas (Rosenthal) na substância branca do cérebro. 

Posteriormente outros estudos detectaram a doença de Alexander em animais das raças Bernese, buldogue francês e Labrador retriever que resultaram numa melhor caracterização da síndrome de Alexander. A Doença segue um modelo de herança autossômico dominante (European Journal of Human Genetics) e os sinais clínicos dos animais afetados refletem o envolvimento difuso do sistema nervoso central, com uma óbvia disfunção neurológica do sistema motor.

Apesar de comprometer todos os membros, os membros torácicos são clinicamente mais afetados do que os membros pélvicos e, com a progressão da doença, podem ser observados estrabismo e movimentos musculares súbitos e involuntários (espasmos mioclônicos).

As patologias letais, condicionadas por herança autossômica dominante, tendem a ser raras em uma população. Nestes casos, como tanto os homozigotos dominantes como os heterozigotos (AA e Aa) manifestam a doença e são identificados fenotipicamente, a seleção contra o gene que causa a doença é efetiva e rápida, visto que só participarão da reprodução os animais sadios (aa) que não possuem o gene indesejável (A) para transmitir.

Veja o vídeo do comportamento de uma animal portador da síndrome de Alexander

Autor:
Irineu M. Benevides Filho
Médico veterinário – Doutor em Genética

Total de votos: 167
CAPTCHA
Esta ferramenta é para testar se você é um visitante humano e evitar submissões automatizadas de spam. (Marque a caixa abaixo)