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Cães e gatos possuem doenças genéticas?

 " A genética médica veterinária evoluiu bastante nas últimas décadas. Hoje laboratórios em diferentes países oferecem serviços de testes de DNA para diagnóstico de diferentes doenças genéticas em cães e gatos "

Todos os seres vivos possuem em seu genoma genes defeituosos, produtos de mutações aleatórias. O conjunto desses genes indesejáveis recebe o nome de CARGA GENÉTICA que, infelizmente, é interpretada em muitos momentos como sinônimo de um BOM genótipo.

 

"Não é raro ler em reportagens ou artigos que determinado animal de alto valor genético, possui excelente “carga genética”.

Doenças genéticas são condições que surgem devido à presença de genes anormais que são passados de uma geração para a outra. As doenças genéticas, quando óbvias, podem ser percebidas logo ao nascimento. Entretanto algumas só são percebidas com o decorrer da vida do animal.
Embora algumas doenças genéticas possam ter uma base genética simples, condicionada por um único par de genes, outras podem ser de caráter poligênico ou multifatorial, quando é fruto de combinações dos efeitos genéticos e de ambiente.

Na grande maioria das vezes as doenças e anomalias genéticas em todas as espécies estão condicionadas por genes recessivos. Isso implica em dizer que os animais que transmitem a doença são indivíduos portadores, mas fenotipicamente normais. Logo um animal para ser afetado terá obrigatoriamente que ser homozigoto para esse gene (possuir os dois genes iguais). Normalmente, em uma população grande e com cruzamentos ao acaso, a condição homozigota desses genes é rara. Entretanto, quando os acasalamentos são dirigidos dentro de uma população reduzida, objetivando apenas a seleção da aparência externa dos animais (como na formação das raças e uso de cruzamentos entre parentes), essas chances aumentam consideravelmente.

"Os genes não escolhem raças, portanto, não existem doenças genéticas dessa ou daquela raça"

Evidentemente que uma raça formada por poucos reprodutores poderá ter um grupo de animais com um conjunto de genes( genótipo) mais semelhante entre si e, ao se acasalarem, aumentam as chances de genes indesejáveis (mutações) se encontrarem no embrião causando o aparecimento de anomalias específicas. Em tese, quanto menor for o número de linhagens em uma raça (menor número de reprodutores que deram origem a raça) e maior a semelhança genética dos reprodutores, maior será a probabilidade da presença de doenças genéticas.

As principais doenças genéticas no cão e no gato obedecem aos seguintes modelos de herança:

  • Autossômicas recessivas - os genes estão presentes nos cromossomos autossômicos de ambos os progenitores e os indivíduos afetados deverão possuir obrigatoriamente duas cópias do gene mutante.
  • Autossômicas Dominantes - os genes também estão nos cromossomos autossômicos, mas basta uma cópia do gene mutante para causar a doença. 
  • Ligadas ao Cromossomo X - Nos machos os genes agem como mutações dominantes, uma vez que possuem apenas um cromossomo X e nas fêmeas agem como a herança autossômica recessiva.
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  • Poligênicas ou Multifatoriais- resultam de mutações em genes de loci diferentes ou surgem da interação de fatores ambientais com múltiplos genes.

Algumas raças foram formadas selecionando-se mutações gênicas específicas, que em outras raças seriam considerados defeitos. Como, por exemplo, os genes mutantes que condicionam alterações no comprimento dos membros, como em gatos da raça Munchkin e cães da raça Basset e mutações que condicionam a ausência de pelos, como na raça de gatos Sphinx. 

 

Várias são as anomalias genéticas de interesse da clínica veterinária que acometem as diferentes raças de Cães e gatos. A universidade de Sydney relata que das 319 doenças genéticas descritas em gatos, 134 seguramente seguem o padrão de herança mendeliana e que em cinquenta delas a mutação já é conhecida. Em cães os dados sobre as doenças genéticas demonstram que de um total de 653 anomalias, com implicações genéticas, 263 são de herança simples e 193 já possuem os genes identificados.

Didaticamente existem diferentes formas de classificação das doenças genéticas e muitas delas são comuns aos cães e aos gatos. Alguns as classificam segundo a predisposição das raças, outros pelo tipo de herança ou pelo sistema afetado. De qualquer forma, as anomalias morfológicas podem ser em característica externas, facilmente observadas ao nascimento, ou em órgãos internos. Elas podem variar desde pequenos defeitos - compatíveis com uma vida normal - a patologias mais graves - que determinam grande prejuízos à saúde, até ao nascimento de cães e gatos com severas malformações.

Aquelas anomalias ditas de função (ou metabólicassão produzidas por alterações na sequência de proteínas enzimáticas e chamadas de erros inatos do metabolismo.

Autor:
Irineu M. Benevides Filho*
*Médico Veterinário, Doutor em Genética e Especialista em Gestão Empresarial

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