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Cardiomiopatia Arritmogênica do Ventrículo Direito em Cães

A cadiomiopatia Arritmogênica Direita ( CAVD ) é uma doença genética homóloga à espécie humana, comumente denominada cardiomiopatia do Boxer.  É uma doença hereditária, caracterizada por lesões localizadas na parede do ventrículo direito do cão afetado. Os animais podem ser assintomáticos ou desenvolverem arritmias ventriculares, síncopes e morte súbita. 

 

Análises do pedigree de famílias de cães afetados mostraram que a herança da Cardiomiopatia Arritmogênica do Ventrículo Direito em Cães​ parece estar condicionada a uma mutação autossômica dominante, com penetrância incompleta (nem todo o cão que possui o gene manifesta a doença).

Apesar do gene candidato ter sido identificado, mapeado e associado à doença, não se observa o padrão de herança mendeliana clássica, o que sugere uma herança multifatorial, com influência de fatores de ambiente, o que, em parte, pode explicar as diferentes formas de manifestação clínica da doença. A prevalência da CAVD é considerada elevada. Entretanto, devido a ocorrência de mortes súbitas, principalmente nos cães assintomáticos, a verdadeira prevalência é desconhecida. 

Se os genes não escolhem raça não existem doença genética dessa ou daquela raça, tanto é que a Cardiomiopatia Arritmogênica do Ventrículo Direito em Cães também foi descrita em cães das raças Dachshund, Bullmastiff, Husky Siberiano, Poodle e Bulldog Inglês. Evidentemente que uma raça formada por poucos reprodutores, que utilize cães aparentados em programas de reprodução, poderá ter um determinado genótipo predominante (pela consanguinidade), ao que chamamos de efeito do fundador.

Por ser um traço patológico determinado por um gene autossômico dominante o nascimento de um cachorro afetado está, obrigatoriamente, condicionado ao fato de um dos pais ser portador da mutação. Nesses casos um controle eficiente de registros de ocorrências tornará o pedigree uma poderosa arma na seleção contra a CAVD. A identificação dos cães portadores permite que os animais com o gene indesejado não participem dos programas de reprodução.

Autor:
Irineu Machado Benevides Filho*
*Médico Veterinário, Doutor em Genética e Especialista em Gestão Empresarial

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