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Glaucoma Congênito em Cães e Gatos

Glaucomas são doenças oculares que devido aos danos às células ganglionares da retina e ao nervo ótico, representam uma das principais causas de cegueira na população humana e nos animais domésticos.

Embora seja uma patologia normalmente associada aos animais mais idosos a presença de animais com glaucoma congênito é descrita tanto em cachorro como no gato. O Glaucoma Congênito, como o próprio nome diz, é aquele que se desenvolve durante a gestação e já ao nascimento os animais apresentam a doença. Essa patologia é de origem genética e, em ambas as espécies, está condicionado por uma herança autossômica recessiva.
O glaucoma congênito já foi descrito em cães de diversas raças como Beagle, Shi Tzu, Elkehound norueguês, Shiba Inu, Basset Hound e  Basset Fulvo da Bretanha. Nesta espécie foram descritas duas mutações distintas, ambas de herança autossômica recessiva.

No gato a patologia já foi descrita nas raças Siamês, Persa e Pelo curto. Ela também é herdada como um gene autossômico recessivo, apresenta sinais mais sutis e é de ocorrência mais rara do que no cão.
 Os relatos mostram que nos gatos afetados a pressão intraocular elevada, o alargamento do globo e os processos ciliares alongados são consistentemente observados já por volta das 8 semanas de vida. Aos seis meses de idade esses animais já apresentam lesões do nervo ótico.
Os estudos dos animais portadores do glaucoma congênito não só permitiram a identificações das mutações como foram capazes de identificar histologicamente anormalidades no desenvolvimento das vias de drenagem do humor aquoso.
O humor aquoso tem a função de nutrir e limpar os olhos. Ele é constantemente produzido e eliminado. De sorte que o aumento desse líquido no interior do olho, durante a gestação, por anormalidades no desenvolvimento do sistema de drenagem, levará a um aumento da pressão intraocular e ao glaucoma já ao nascimento.

Normalmente a oftalmologia veterinária se utiliza da tonometria e do exame de fundo de olho para detectar as alterações produzidas pelo glaucoma e o tratamento clínico ou cirúrgico tem por objetivo diminuir a pressão intra-ocular, reduzindo a dor do paciente.  Entretanto, até que se encontrem alternativas de se impedir a morte das células da retina, parece que a longo prazo a cegueira é inevitável nos animais com glaucoma. 

Irineu Machado Benevides Filho

Med Veterinário Doutor em Genética e especialista em Gestão

 

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