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O gato, a mulher gestante e a toxoplasmose

Não é raro que as pessoas alertem uma mulher gestante sobre o perigo dos gatos passarem a Toxoplasmose durante a gestação

A Toxoplasmose congênita é uma doença infecciosa que resulta da transferência transplacentária do protozoário Toxoplasma gondii para o feto, decorrente da primeira infecção da mulher durante a gestação. O toxoplasma parasita os animais de sangue quente e não exclusivamente o gato.  

O que faz com que os gatos tenham o destaque na transmissão dessa doença é  o fato dos felídeos serem os hospedeiros definitivos desse parasita, ou seja o único animal capaz de eliminar o parasita através das fezes. Em geral os gatos se infectam pela ingestão de roedores e pássaros infectados e expelem o protozoário nas fezes, na forma de oocistos (forma microscópica do toxoplasma), que necessitam permanecer no ambiente por uma até quatro dias para esporular e se tornar infectantes. Por essa razão, o contato direto com o animal não traz risco de infecção.

Na realidade, o ser humano se infecta ao ingerir oocistos já esporulados, além de outras formas infectantes do parasito encontradas em carnes, ovos e leite crus ou mal cozidos. A forma mais comum de transmissão da toxoplasmose se dá pela ingestão de alimentos e água contaminados, principalmente por carne mal cozida e frutas, legumes e verduras mal  lavados e mal cozidos e pelo contato com terra. 

A possibilidade de transmissão para seres humanos pelo simples contato com um gato é mínima. Ou seja, não é afastando o gato de uma mulher grávida que se previne a Toxoplasmose congênita, mas sim com um manejo higiênico e sanitário adequados, hábitos de higiene pessoal e cuidados higiênicos na manipulação e preparo dos alimentos e para atividades com terra, como a jardinagem.

Assim nada de incriminar o seu gato, pois ele  não é mais perigoso do que mexer com carnes cruas e manusear terra e caixa de areia do gato sem a proteção por luvas e consumir alimentos crus ou mal cozidos, particularmente aqueles de origem não idôneas (sem a devida inspeção veterinária e fiscalização sanitária).

Sandra Mª. Gomes Thomé*
*Prof.ª Associada do Depto. Epidemiologia e Saúde Pública Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro  

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