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Porque os cães miniatura, toy, mini e micro podem apresentar graves problemas de saúde e doenças genéticas

Não há nada de errado em querermos um cão pequeno, são adoráveis! Além disso há uma gama de razões para se desejar um cão pequeno: vivem mais tempo, comem menos, são mais apropriados para casas pequenas e apartamentos e são ......uma verdadeira  “fofura”. Dentre as opções mais conhecidas de cachorro de porte pequeno estão animais das raças Chihuahua, Spitz, Shin Tzu, Lhasa Apso, Maltes, Yorkshire Terrier, Poodle Toy, entre outras. 

Mas qual a linha divisória entre cães de pequeno porte - saudáveis, com padrões raciais definidos e controladas por associações e clubes de criadores – e aqueles cães miniaturas,  que chamam de cachorros “minis”,”micros”, toy, “zeros” ou anões?

Sabemos que existem no mundo mais de 1000 raças de cães que, por centenas de anos, foram selecionadas para cumprirem funções específicas durante a vida. Assim, existem cães de diferentes tamanhos e especializados em esportes, pastoreio, caça, guarda, busca,  salvamento, etc. O processo de formação de uma nova raça se dá a partir da exploração da variabilidade genética existente nas populações que, através dos cruzamentos entre animais que possuem as característica desejadas, busca-se canalizar o fenótipo para o padrão de cada uma das raças. 

Após a formação da raças e, com o hábito de organizar exposições, foram fundados os Clubes e Organizações para cada raça específica de cães, cuja função também incluía  a organização de todos os “pedigrees” dos animais registrados. Isto significa que a obtenção de novos animais de raça pura, reconhecidos pelos clubes, só é possível a partir do acasalamento de reprodutores dentro desse restrito conjunto de genes. Esse processo, ao reduzir a variabilidade genética e concentrar indivíduos aparentados, favorece o encontro de genes defeituosos nas descendências, pelos cruzamentos consanguíneos(entre parentes). Tal fato determina diminuição da resistência às doenças, aumento da incidência das doenças genéticas e malformações e a diminuição da fertilidade.

Entretanto, naquelas raças reconhecidas pela cinofilia, os clubes específicos de cada uma das raças devem através dos registros genealógicos, identificar o surgimento de malformações e doenças genéticas e manter um programa de acasalamento dirigido, onde os animais portadores dos genes indesejados são identificados e não participam da formação das novas gerações.

Porém essas novas subdivisões de cães miniatura, mini, micro, toy, anão,  muitas vezes são obtidas por cruzamentos consanguíneos sem o devido controle genético,  e visam apenas atender a uma demanda ao mercado, por caprichos de alguns. Portanto, esses cães miniaturas, além de  não serem reconhecidos oficialmente pela cinofilia Nacional e Internacional, apresentam graves doenças genéticas e vários tipos de anomalias congênitas. 


Miracle milly o menor cão do mundo
https://www.facebook.com/Miraclemilly

Dentre algumas doenças genéticas e anomalias congênitas já descritas nos cães miniatura estão, por exemplo, fragilidades ósseas, graves anomalias na dentição, hidrocefalia, catarata, entrópio, exoftalmia, epilepsia, hipotiroidismo, hipoglicemia, anomalias hepáticas, cardiovasculares e respiratórias.

Do ponto de vista físico os animais miniaturizados possuem  estrutura óssea e condição orgânica extremamente frágeis culminando, por vezes, com múltiplas fraturas, partos prematuros e altas taxas de mortalidade ao parto. Por isso não se aconselha a reprodução entre esses animais.

Portanto, se você em vez de adquirir um cachorro dentro dos padrões das raças, optar por um cão miniatura deverá ter consciência de que não há como evitar que esse animais sofram com problemas de saúde por toda a vida e que precisará de um acompanhamento médico veterinário constante.

 

Irineu M. Benevides Filho
Médico Veterinário – Doutor em Genética e especialista em Gestão

 

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Comentários

José Bayão

A minha grande dificuldade, ou melhor, tenho muita facilidade em identificar esse crime de minituarização das raças de cães, causando-lhes doenças sempre, fragilidades diversas e pouca longevidade.
Acaba portanto, caindo eu em grande dificuldade. Por exemplo, tive um chiuhuahua que faleceu aos 18 anos: o meu Jonas, como o chamava. Gozou de perfeita saúde a vida toda. Tenho 67 anos e perdi minha esposa com 59 anos há poucos meses. Ele, o Jonas, não resistiu a ausência dela. Agora tenho problemas para encontrar um chihuahua com o padrão da raça. O meu Jonas tinha a variação de peso entre 2600 e 2800 kg. Reconheço perfeitamente as misturas de chihuahuas com outros cães, e daí minha decepção. Grato imensamente!

sex, 14/09/2018 - 16:26
busquepets Grato a você por interagir
seg, 17/12/2018 - 13:03
busquepets Bom dia Melissa.Grato por interagir com o Busquepets. Este é um espaço em que buscamos informar com qualidade, sem aprofundamento científico. por isso não temos a preocupação de citar a bibliografia. Este tema é bastante complexo, pois envolve diversas áreas da genética médica, mas você deve procurar os artigos específicos ou aqueles sobre anomalias congênitas e doenças bioquímicas. Qual a sua escola? Mande notícias.
qui, 06/02/2020 - 12:51
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