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Quem é mais perigoso na transmissão da raiva humana? O Gato, o Cachorro ou o Morcego?

O Ministério da Saúde tem divulgado que os morcegos já superaram os gatos na transmissão da raiva para humanos e estão a caminho de superar também o cão. A imprensa, por sua vez,  tem divulgado, com relativa frequência, notícias sobre o encontro de exemplares de morcegos não hematófagos doentes em bairros residenciais e comerciais, em plena luz do dia. Uma vez notificados, os serviços de controle de zoonoses dos municípios desencadeiam imediatamente o controle do foco da doença, investigando a possibilidade de agressão a pessoas e promovendo uma campanha de vacinação antirrábica em cães e gatos, num raio no entorno do local onde o morcego doente foi localizado.

Tudo estaria bem se fosse possível detectar todos os morcegos infectados pelo vírus e desencadear, em tempo oportuno, as medidas necessárias para o

controle do foco e proteger os cães, gatos e as pessoas contra a infecção. Lamentavelmente, não é isso o que ocorre: no dia 19 de maio de 2016, o jornal Folha de Boa Vista, de Roraima, publicou a confirmação de um caso de raiva em um adolescente transmitido por um gato que se infectou por morcego.

Infelizmente, as autoridades de saúde não souberam da presença do morcego infectado a tempo de evitar a doença no adolescente. É evidente que isso pode ocorrer em qualquer lugar do país: o cão ou o gato são mordidos pelo morcego sem que os tutores do animal saibam, o que não possibilita nenhuma medida profilática em tempo hábil de se evitar a transmissão do vírus e, quando o paciente chega ao serviço de saúde, já se passou muito tempo e não mais é possível tomar as medidas de controle adequadas, a tempo de evitar uma situação tão grave quanto essa.

Por problemas ocorridos com lotes da vacina antirrábica utilizados na campanha de 2010, quando muito cães e gatos apresentaram reações adversas e mesmo fatais à vacina, que o Ministério da Saúde modificou a estratégia que vinha sendo empregada com tanto sucesso na profilaxia da raiva, ao longo de décadas. Desde então, estados e municípios vem reclamando a falta de regularização na entrega de vacinas para as campanhas anuais ou a ocorrência de campanhas pontuais, somente em áreas de maior risco epidemiológico, o que leva à preocupação quanto a situações como a que ocorreu em Roraima e que pode vir a ocorrer em qualquer lugar do país, haja vista que a população de cães e gatos, desde então, não está devidamente imunizada.

Cabe ressaltar aqui que não se deve, em hipótese alguma, tocar em morcegos. Caso um animal desses seja encontrado, o serviço de controle de zoonoses do município deverá ser imediatamente informado para que uma equipe vá até o local, recolha o animal e o leve para o laboratório de referência para diagnóstico da raiva e inicie prontamente o controle do foco, se for o caso.  

Outra orientação importante é a de que os tutores, na medida do possível, levem seu cão e/ou gato para tomar a vacina antirrábica anualmente. A população também pode verificar em seus municípios de residência se existem postos fixos para vacinação antirrábica ou quando haverá campanha de vacinação animal ou mesmo levar seus pets ao Médico Veterinário de sua confiança para a vacinação. O importante é não deixar cães e gatos sem a proteção contra o vírus.

Autora:
Sandra Mª. Gomes Thomé*
*Prof.ª Associada do Depto. Epidemiologia e Saúde Pública Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro 

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