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Síndrome de “Cushing” em cães

Em condições normais o hormônio Adrenocorticotrófico (ACTH) produzido pela hipófise irá estimular e regular os níveis de produção de glicocorticoide pela glândula adrenal. No organismo os glicocorticoides, entre outras funções, participam do metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas estimulando a glicogênese, aumentando a sensibilidade dos tecidos à insulina, ativando a lipólise, bloqueando ou retardando etapas importantes nos processos inflamatórios.

Caso ocorra algum problema na biossíntese dos glicocorticoides, que leve a um aumento de sua produção e elevação da concentração no organismo, haverá o desenvolvimento da síndrome de Cushing. A Síndrome de Cushing, Doença de Cushing ou Hiperadrenocorticismo são denominações para uma mesma patologia e resulta de um aumento crônico da produção de glicocorticoides pela glândula adrenal. 

A síndrome de Cushing é mais frequente em cães do que em gatos e é considerada uma doença que acomete animais de meia idade a idosos. Isto porque a síndrome tem progressão lenta e os principais sintomas, por vezes, só são percebidos em cães com uma idade mais avançada. Estudos indicam que nos cães cerca de 80% dos animais com síndrome de Cushing são considerados como hipófise dependente; 50% dos cães com a doença de Cushing são hipertensos e de 5% a 10% dos cães com Cushing desenvolvem a diabete melito.


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Dentre os sintomas mais comuns estão:
•    Aumento do consumo de água e do volume urinário
•    Aumento do apetite
•    Aumento do volume abdominal 
•    Alopecia e transtornos de pele
•    Alterações neurológicas e fragilidade muscular

 

 

 

 

 

Por ser uma doença com grande variedade de sintomas (síndrome) o diagnóstico da doença de Cushing é dependente de uma série de testes e exames de apoio. O correto diagnóstico é fundamental para a definição do tratamento a ser conduzido nos animais. Entretanto qualquer que seja a estratégia terapêutica é importante que o Médico Veterinário e os tutores dos pacientes mantenham atenção redobrada e acompanhamento diário do processo de tratamento e evolução da doença. 

Em muitos textos a síndrome de Cushing é atribuída a presença de tumores hipofisários e da adrenal, sem predisposição genética. Entretanto, mesmo sem definir o tipo de herança, Kool e colaboradores (2013) estudando cães com hipersecreção de cortisol independente de ACTH, relataram uma mutação genética nesses pets potencialmente capaz de elevar a síntese do cortisol em cães. (Activating mutations of GNAS in canine cortisol-secreting adrenocortical tumors. J Vet Intern Med 27:1486-92, 2013)

Irineu M. Benevides Filho*
*Médico Veterinário, Doutor em genética e Especialista em gestão

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