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Você sabia que 75% das doenças que afetam a saúde humana são transmitidas entre animais e o homem?

Zoonoses são doenças naturalmente transmissíveis entre animais vertebrados e seres humanos. Os agentes causadores dessas infecções são bactérias, vírus, fungos, protozoários e outros parasitas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 75% das doenças emergentes e das doenças reemergentes que irão afetar a saúde humana ao longo do século XXI serão de origem zoonótica. A transmissão dos agentes etiológicos entre homens e animais pode se dar:

Por via direta – por meio do contato direto com animais infectados: contato da pele humana com lesões infectadas na pele animal e vice-versa, por mordeduras e arranhaduras em situações de agressões animais e, inclusive, por contato sexual entre humanos e animais, por mais bizarro que isso possa parecer;

Por via indireta  –  por ingestão de alimentos de origem animal contaminados, ingestão de água contaminada por animais e suas excretas, por intermédio de artrópodes vetores que se alimentam de sangue humano e animal e ainda pela inalação de aerossóis, quando os agentes estão em suspensão no ar ou são emitidos por espirros e tosse de indivíduos infectados.

Grandes epidemias registradas ao longo da história decorreram de infecção humana por patógenos de animais; algumas delas chegaram a colocar praticamente em risco a sobrevivência da população humana do Velho Mundo. A peste bubônica (também chamada de peste negra) por exemplo, teve início, provavelmente, na China e chegou à Europa em navios mercantes que transportavam para a Sicília mercadorias; mas além das mercadorias, transportavam também ratos e suas pulgas infectados e tripulantes doentes.

A partir dessa introdução, a bactéria se espalhou rapidamente pela Europa, infectando ratos urbanos e suas respectivas pulgas; esses roedores não tinham nenhuma resistência à Yersinia pestis e morriam rapidamente, mas não sem antes desenvolver uma bacteremia que permitia que cada rato doente infectasse dezenas ou centenas de pulgas, as quais – após a morte do hospedeiro – procuravam novos ratos para o repasto sanguíneo. Em pouco tempo, a população de roedores urbanos foi se extinguindo e suas pulgas passaram a parasitar cães, gatos e humanos, alastrando de forma exponencial a infecção. Acredita-se que essa pandemia tenha matado algo em torno de 137 milhões de pessoas no Velho Mundo, sendo que a maioria das mortes ocorreu nos primeiros cinco anos da pandemia, que iniciou em 1346 e se estendeu por três séculos.

Autora:
Sandra M. G. Thomé*
* Médica Veterinária. Professora Associada 1. Depto de Epidemiologia e Saúde Pública. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Contato: sandrathome@ufrrj.br

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